sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os bloqueios humanos de Viçosa

Dirijo-me apressadamente da universidade para a praça Silviano Brandão. O caminho é um tanto longo e há diversas pessoas que parecem sentir prazer em torná-lo ainda mais longo para mim. Falo dos pedestres especialistas em bloquear a passagem de outros pedestres que caminham pela calçada. Se muitos motoristas são gentis e, ao se depararem com uma faixa de pedestres, param a fim de permitir o trânsito de pessoas, a mesma gentileza não é praticada por parte de alguns sujeitos que andam a pé.
Voltando ao meu trajeto, enfrento dificuldades para caminhar logo no início dele, ainda no campus da UFV. Embora Viçosa esteja muito longe de Uberaba, Uberlândia e Ituiutaba, encontro três estudantes universitários que formam um perfeito triângulo – um triângulo mineiro – em um dos lados da reta. Como o outro lado está em reforma, a única solução para contorná-los é ultrapassando pela rua mesmo. Eu poderia pedir licença? Sim, mas não creio que isso resolveria muita coisa, não, dada a extremada preocupação deles com outros que, como eu, tentavam abrir espaço no meio do triângulo.
Certa vez, um grupo com umas seis pessoas estava reunido na base da Ladeira dos Operários. Elas estavam tão entretidas com a conversa que, por mais que eu ficasse parado diante delas esperando abrirem caminho, de forma alguma isso acontecia. Não tive outro jeito: perfurei o bolo de gente sem pedir licença alguma, afinal isso era impossível.
No meu intuito de chegar à praça Silviano Brandão, não tive mais problemas no campus da universidade. Após conseguir chegar às quatro pilastras, continuo minha caminhada pela avenida P. H. Rolfs, e mais postes humanos surgem à minha frente. Se fosse gente idosa, eu até entenderia, mas gente nova, que não está nem aí para alguém mais apressado que deseja ultrapassá-lo, isso não dá para engolir. Muitas dessas pessoas veem sua tentativa de passar por elas – que estão paradas, bloqueando a calçada – mas não movem uma perna sequer para contribuir com você.
Tem gente que, além de estar acima um pouco acima do peso e carregar muitas sacolas nas duas mãos, ainda inventa de parar para conversar com uma amiga bem num trecho onde a calçada é mais estreita. Como se isso não bastasse, se você pede licença, as comadres fazem cara feia, como se fossem as donas do pedaço. Eu já precisei trombar propositalmente com a sacola de uma dessas madames para tentar mostrar a ela, de modo bastante rude, que o que ela fazia não estava certo.
Ao atingir o calçadão, tudo fica bem mais fácil, porque o espaço é mais amplo e a calçada muito mais larga. Pelo menos no fim do meu trajeto eu consigo ter uma pequena parte do caminho liberado para apressar o passo e chegar ao meu destino.