A crise financeira enfrentada pelos países da zona do euro foi um dos assuntos tratados pelo ex-ministro da Fazenda e economista Maílson da Nóbrega, que participou ontem, dia 21, de entrevista coletiva com os focas da 22ª edição do Curso Estado de Jornalismo.
Maílson não acredita que a Grécia voltará à moeda antiga, o dracma, mas manterá o euro. “É teoricamente correta, mas operacionalmente equivocada a ideia de a Grécia sai da zona do euro. Ao fazer isso, o país teria muitos gastos com o retorno à produção de sua antiga moeda. Além disso, os bancos quebrariam e mais da metade das empresas, que devem em euro para as outras nações, também sofreriam.”
A soma da dívida dos países mais afetados pela crise – Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal – chega a 3,3 trilhões de euros, valor semelhante ao Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, que possui a quarta maior economia mundial e a maior da Europa. Para Maílson, seria uma “catástrofe sem tamanho” a falência econômica dessas nações. “A União Europeia trouxe estabilidade ao continente, que está há 66 anos sem guerra. É o maior período de paz no milênio.”
O economista enxerga duas soluções possíveis para o problema com os países mais endividados. “O Banco Central Europeu (BCE) poderia bancar a dívida, mas isso causaria inflação. A emissão de um título público europeu único é a alternativa. No entanto, os países mais ricos, como a Alemanha, não se sentem à vontade com o fato de partilharem esse título com nações como a Grécia, que, enquanto pôde, gastou à vontade e, agora, necessita de auxílio”, explicou Maílson. O ex-ministro afirmou que a solução para a crise tende a ser dramática.

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